Sempre me constrangeu muito pensar que Deus, além de ter nos criado de forma única, especial e admirável, distribuiu dons entre todas as criaturas, dons que servem para propósitos específicos.

Com certeza muitos de nós cristãos, quando recém convertidos, constrangidos com o amor e a graça do nosso Deus, desejamos servi-lo de forma integral e completa. Contudo, seja por imaturidade espiritual, seja por falta de conhecimento da Palavra, acreditamos que devemos, prontamente, iniciarmos o curso de teologia para que posteriormente sirvamos o Senhor como ministros que servem em tempo integral em alguma comunidade.

E sim, esse é o chamado de Deus para algumas pessoas. Mas Deus, ao criar todas as pessoas, não intencionou que todas elas possuíssem a mesma função. Isso se comprova quando na Palavra de Deus tem-se o corpo como ilustração para o que devemos ser: vários membros com funções distintas e complementares.

Em mim, creio que Deus colocou um dom específico do cuidado com as pessoas. Eu poderia ter exercido este dom de diferentes maneiras, mas através da oração e do aconselhamento com outros crentes, pude discernir o chamado de Deus para mim na odontologia.

A vida covocacionada é o buscar atender ao chamado específico de Deus para uma profissão fora da igreja, unido à obediência ao chamado geral de Deus para todos os discípulos de Jesus: fazer discípulos. Deste modo, se colocando à disposição de Deus para servi-lo em conformidade com os dons por Ele distribuídos.

Com certeza os desafios da vida covocacionada são muitos. O desgaste físico e emocional que faz parte do dia a dia daqueles que desejam servir com excelência, a cobrança por não deixar nenhum dos pratinhos cair, a consciência de que não se pode alcançar o padrão de doação e empenho que o tempo integral proporciona a outros, o desafio de servir a própria casa e a própria família como prioridade e primeiro ministério, o desejo por cuidar de mais pessoas do que os períodos livres da semana possibilitam, a agenda frequentemente mais lotada do que o desejado.

Cada um desses pontos citados anteriormente são vívidos e verdadeiros no dia a dia de um covocacionado. Entretanto, existe algo que nos move e nos faz nunca querer parar de viver esse estilo de vida: o amor por Jesus (e consequentemente pelas pessoas) e o mover do Espírito Santo.

A razão pela qual isso é possível é o próprio Deus que habita em nós. Deus possibilita que o nosso tempo seja sempre ocupado para que não sejamos ociosos, Deus nos sustenta com o pão de cada dia através do emprego que temos, Deus possibilita contatos com pessoas que dificilmente seriam alcançadas em ambientes de igreja, Deus concede a alegria de podermos servir a igreja de Cristo todos os dias através do discipulado e das disciplinas espirituais feitas com outras pessoas, Deus nos confia as suas ovelhas para que cuidemos delas com amor e temor.

Creio que, cada vez mais, a igreja deve retomar o foco para o sacerdócio geral, para que possamos viver o que Deus criou a igreja para ser. E para que a vida da igreja seja mais sobre compartilhar e menos sobre receber, mais sobre servir e menos sobre ser servido. Os nossos dons não podem mais ser esquecidos e apagados. Precisamos usá-los para a glória de Deus.

Por fim, ao experimentar as dores e as alegrias que o servir a Deus em todo o tempo, em todo o lugar e de todas as formas possíveis oferece,  pude concluir que essa é a única vida possível e a única vida desejável, porque, para nós, o viver é Cristo e o morrer é lucro

Johanna Zang

Por Missão Zero

quarta-feira, 03 março 2021
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