Quais são as implicações de um entendimento missional da Bíblia e da Igreja para a educação teológica?

Michael Goheen: eu acho que existem várias implicações de um entendimento missional das Escrituras e da Igreja para a educação teológica. De fato, é bastante interessante voltar ao século XX e ver que entre os anos 60 e 80 existia um grupo de líderes de missão se perguntando isso. À medida que a igreja florescia e crescia no hemisfério sul, eles se perguntavam: “que tipo de educação teológica é necessária para nutrir igrejas missionais?”. Eles eram críticos da educação teológica ocidental, pois acreditavam que esta foi influenciada em todas as formas pelo Iluminismo, e assim trouxeram críticas e sugestões reais. Essas sugestões vieram em três áreas:

Primeiramente, em termos de currículo: eles sugeriram que houve uma fragmentação curricular, e que estes se tratavam muito mais de disciplinas científicas, ao invés de serem moldados pela missão da igreja. Em outras palavras, os parceiros de diálogo tinham se tornado outros estudiosos, e não mais a igreja missional, suas necessidades e questões. Desenvolver um currículo missional, onde a missão realmente modela os vários assuntos de cada disciplina é realmente importante.

Meu próprio professor de missão, Harvie Conn, de Wesminster (Inglaterra), disse: “você pode estudar missão o dia todo, mas no final, a sua teologia pode minar completamente a sua missão por ser uma teologia não missional”. O que a teologia faz é importante. Dessa forma, pensando no currículo, como a missão poderia moldá-lo nos estudos da Bíblia, na história da igreja, na teologia sistemática e teológica congregacional?

Na minha opinião, o que está faltando no currículo são estudos culturais. Isto é, nós precisamos conhecer a nossa cultura, pois nunca enviaríamos alguém para outra parte do mundo até que esta pessoa conhecesse bem a cultura, e ainda assim nós enviamos os nossos pastores a culturas que eles não conhecem, pois eles estiveram em briga com a cultura a sua vida inteira. Estudos culturais são fundamentais.

Segundo, pedagogia: nossa pedagogia tem frequentemente sido altamente racional; eu tenho conteúdo, o comunico a você; você memoriza, escreve em um papel em uma prova e aí está: boa educação. Bem, existem muitas pessoas que podem fazer isso e não se tornarem bons pastores. Eu acho que nós precisamos encontrar uma pedagogia que é mais orientada ao discipulado. Isto não é menos racional, nem menos rigoroso. É somente levar a uma nova direção, focando no treinamento de pastores. É encontrar maneiras de trabalhar isso. São atribuições que não são apenas “me devolva com informações”; atribuições que realmente exercitam no contexto do ministério.

A Terceira área é a área das estruturas: existem muitas coisas aqui, mas eu acredito que uma das principais é o relacionamento do seminário com a igreja. Muito frequentemente os seminários se separam como instituições acadêmicas, e a igreja tem uma entrada muito pequena. Ter um seminário que é intimamente ligado à igreja, e que está na verdade lutando em agonia com a missão da igreja em sua cultura particular, muito provavelmente vai ter uma educação teológica que verdadeiramente equipa, molda e treina pastores/missionários.

Eu acho que a missão tem muito a dizer para a educação teológica e, nos últimos quatro anos da minha vida eu tenho me dedicado a esse assunto, em busca de entender “como a missão remodela a educação teológica?”.

*Texto adaptado de entrevista concedida por Goheen em 2017, durante participação no Encontro de Obreiros do Movimento Encontrão. Michael W. Goheen é diretor de educação teológica e pesquisador residente no Missional Training Center, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos. Ele é autor de diversos livros, entre eles “A Igreja Missional na Bíblia” e “A Missão da Igreja Hoje”.

Por Missão Zero

sexta-feira, 29 novembro 2019

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