Lembro-me de um breve texto editado num boletim da SEPAL, há mais de 20 anos. O título era “Segure a corda”. A história era mais ou menos assim: um exímio nadador amarrou a extremidade de uma corda em torno de sua cintura e instruiu as pessoas sobre a ponte que segurassem a outra ponta para que ele pudesse mergulhar. Lançou-se para dentro do rio que atravessava a pequena vila, e nadava para resgatar uma criança que estava sendo arrastada pela correnteza. Lutou contra a força da água até alcançar a criança em perigo e, finalmente, fez um sinal para que as pessoas sobre a ponte puxassem para o resgate. Todos os expectadores sobre a ponte estavam muito felizes, de mãos erguidas, e num brado de euforia celebravam o resgate da criança. Porém, ninguém segurou a corda. Nadador, criança e a corda desapareceram na correnteza.  Não lembro exatamente o final desta história, mas lembro de muito bem do recado dela.

O texto de Atos 15.1-21 nos leva a concluir que Jerusalém era lugar de gente que segurava a corda.  No início não era bem assim, mas com o rumo da missão o Espírito de Deus foi conduzindo a comunidade de Jerusalém para que assumisse o papel de igreja mãe. Até podemos ter os melhores e mais competentes missionários e plantadores de igrejas no campo, porém fica complicado quando não temos aqueles que seguram a corda.

O autor e antropólogo cristão Paul G. Hiebert, citando “Alicja Iwanska” (1978), descreve três modos das comunidades se relacionarem com a missão cristã. A primeira é a visão panorâmica: se olha para a missão assim como para uma foto, ou como se contempla um jardim zoológico, com uma devida distância. A segunda é uma conexão de um modo utilitarista. Tem-se ferramentas e recursos e os projetos são desenvolvidos, mas não passa de uma prestação de serviços; seus resultados são numéricos e precisam trazer benefícios, nem que seja para a autopromoção da igreja mãe. A terceira, porém, seria a ideal, onde comunidade se envolve com pessoas, missionários e suas famílias. Pessoas das comunidades em missão: capacidade de amar e de se importar com o que acontece no campo de missão.

Aquilo que estava acontecendo na Antioquia era sim assunto também de Jerusalém. Dificuldades internas e externas na missão são comuns e são reais.  Havia gente ensinando coisas estranhas frente à novidade do evangelho, que é o poder de Deus para salvação (Rm 1.16).  Questões secundárias se colocaram junto ou até acima do evangelho, trazendo confusão para a missão na Antioquia. Tradições que até foram legítimas no passado se transformaram em obstáculos. Lidar com situações desta natureza pressupõem conversas difíceis. Como fazer isso sem que a unidade seja comprometida?

Como é importante quando os problemas podem ser divididos e o campo missionário sabe a quem recorrer. Pedro e Tiago, os apóstolos, também mexidos e transformados pelo Espírito Santo para um novo momento da missão, abrem mão de suas convicções pessoais para olhar com os olhos de Deus para ela. Esses processos de mudanças de ações podem ser difíceis e abalam estruturas. Dificilmente, porém, haverá missão para fora se não tivermos capacidade de mexer estruturas internas.

Antioquia sabia de pessoas que estavam segurando a corda. Paulo e Barnabé sabiam-se conectados. Mergulhar assim na missão fica melhor.  Precisamos de mergulhadores – eles são essenciais – mas como precisamos de seguradores de cordas! Em outras palavras, comunidades-mãe dando o melhor de si em termos de recursos, oração, sabedoria e encorajamento.  Tem sido bom fazer este papel de igreja mãe, por mais que ainda possamos melhorar. Portas têm sido abertas, e é bom celebrar com os mergulhadores. O bom desempenho deles é nossa alegria, mas seguramos a corda, sabendo que eles precisam de nós.

William Bretzke

Por Missão Zero

terça-feira, 20 abril 2021
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