Deus, em sua imensa sabedoria, escolheu que os seus filhos participassem da missão de espalhar as boas novas do evangelho. Em outras palavras, Deus não precisa de nós, mas mesmo assim nos escolheu para sermos seus servos na Sua missão de redimir o mundo. Nesse contexto, vale a pena notar que a missão que nos foi confiada é relativamente simples (porém extremamente importante): a de proclamar, de tornar conhecida, de explicar o sacrifício redentor de Jesus a todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir. O evangelho é, portanto, uma mensagem que precisa ser transmitida e recebida, pois como ouvirão (com seus ouvidos) se não há quem pregue (com as suas palavras) – Romanos 10.14.

Tanto o missionário tradicional quanto o missionário dito “fazedor de tendas” estão empenhados nessa mesma tarefa, sendo a única diferença entre os dois o fato de que o fazedor de tendas irá se empenhar em algum trabalho/profissão ao mesmo tempo que proclama as boas novas.

Como qualquer outro missionário, ele precisa ser constantemente lembrado que o evangelho é uma mensagem. Isso significa que não importa o quão especial seja o seu trabalho profissional ou quão gratificante é cooperar com Deus para um mundo melhor – o seu trabalho é uma bênção, mas não é o evangelho. Neste sentido, a profissão do fazedor de tendas é, no final das contas, apenas uma plataforma para a sua presença no campo missionário. A função desta plataforma será permitir que ele tenha oportunidades de entregar a mensagem que lhe foi confiada.

Um cristão dentro da sua própria cultura deveria compartilhar da sua fé no seu contexto profissional, pois não poderia deixar de falar daquilo que transformou a sua vida. Contudo, enviar esse mesmo profissional cristão para o Iraque sem nenhum treinamento em missão transcultural é uma receita para o fracasso – talvez até mesmo uma receita para uma tragédia.

Neste caso, talvez anos de treinamento serão necessários para equipar um profissional a ser um missionário. Da mesma forma, anos de formação profissional podem ser necessários para equipar um missionário a estar apto para um campo fechado no qual a figura do teólogo tradicional é proibida. Vale dizer que é triste ver missionários se sentirem mentirosos no campo dizendo que são técnicos em uma determinada área, mas na verdade não têm experiência nenhuma, e só fizeram um cursinho pela internet antes de partirem para a missão.

Cogitar que a formação profissional do missionário é apenas um detalhe para estar em um país pode ser perigoso e um péssimo testemunho cristão se a pessoa não souber desempenhar a função para qual ela conseguiu o visto de trabalho. O campo missionário precisa de bons “fazedores de tenda” e não de fazedores de fiasco.

Uma vez formado e enviado, a vida do fazedor de tendas será um constante malabarismo entre o tempo que ele irá dedicar ao seu trabalho e ao seu ministério, sem esquecer obviamente da sua família, saúde física, mental e espiritual. Em resumo, a vida vai ser corrida porque apesar de ter duas frentes de trabalho, o dia vai continuar tendo apenas 24h. No meu caso, todos os dias enfrento o desafio de como ser excelente no meu trabalho e ao mesmo tempo em como vou conseguir estar livre do hospital para poder me dedicar ao ministério, aprofundando o conhecimento da língua local, me envolvendo com evangelismo e discipulado, preparando estudos para os grupos, etc. A realidade é que tenho que conviver com o fato de que não vai dar tempo para fazer tudo que eu gostaria.

Apesar de ser complexa a formação e a vida do fazedor de tendas, o seu alcance é espetacular. É ele que terá acesso aos países considerados fechados para os missionários tradicionais. Este argumento isolado já seria suficiente para encorajar novos “fazedores de tenda”, mas há outros três pontos que creio serem também bastante positivos:

1) O “fazedor de tendas” terá uma identidade muito sólida no país onde ele irá morar. Identidade sólida aumenta em muito a credibilidade de uma pessoa e por consequência o seu testemunho de fé acaba tendo um impacto maior;

2) Por se envolver em uma atividade profissional, ele terá muito mais contatos e relacionamentos com locais. Relacionamentos no campo missionário valem ouro;

3) Diversos relatos mostram que muitos novos cristãos acabam se interessando pela vida do missionário tradicional por terem a impressão de que ele ganha muito bem a sua vida sem “trabalhar”. Nesse sentido, sobretudo em contextos de muita pobreza, o fato de o missionário ter uma profissão serve de modelo para os novos crentes de que cristão também trabalha.

Por fim, nem a profissão nem o ministério devem definir o que é um “fazedor de tendas”. Ele deve ser alguém que sabe que é um filho amado de Deus. Uma pessoa impactada pela mensagem do evangelho de tal maneira que esteja disposta a reproduzi-la com naturalidade mesmo estando bem longe da sua zona de conforto. 

Os campos estão cheios, mas os trabalhadores são poucos. Faça parte você também!

Breno A. Speckhann

Por Missão Zero

quarta-feira, 13 maio 2020
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